segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tareka e Tozé Martinho


Tareka, é assim que é conhecida desde que apareceu com o filho a fazer um dos mais brilhantes pares da saudosa "Cornélia", dá vida a Clarice em "Olhos de Água", mãe de Duarte, o dividido dono da oficina de restauro. "Esta personagem tem 100 por cento a ver comigo. Sou muito mãe-galinha, nunca me escusei a dar um açoite como também dou 40 mil beijinhos", desabafa, feliz com os cinco filhos que educou.

Mãe de Tozé Martinho, actor e autor da novela, Tareka teve três filhos do primeiro casamento e dois do segundo, sendo um deles a escritora Ana Maria Magalhães, co-autora dos famosos livros juvenis, "Uma Aventura". "Os meus filhos adoram-se entre si, são amicíssimos. Para isso é fundamental o ambiente que os pais criam em casa", sublinha.

Talvez por isso, Tozé Martinho, autor de inúmeras telenovelas, escreve para a mãe papéis de grande doçura. "É a imagem que o meu filho tem de mim, nunca fui uma mãe agressiva, e quando leio o texto consigo entender logo onde ele quer chegar." Cumplicidades de mãe e filho.

Apaixonada pela vida artística desde muito cedo, Tareka recorda com saudade as festas da sua infância em que ela e os irmãos não perdiam uma oportunidade de representar e cantar. "Sempre alimentámos muito a parte artística. Em casa da minha avó, faziam-se saraus musicais em que se cantava e recitava."

Já casada, gravou discos com Shegundo Galarza em Berlim e, logo de seguida, foi convidada para protagonizar um filme. "Pouco depois, o meu primeiro marido morreu e a minha vida foi peneirada através dos meus filhos. É por isso que o Tozé gosta de me pôr aqui porque sabe que eu abdiquei de muita coisa por eles." Ao ponto de nem ter assistido à estreia do seu filme em Berlim para estar em Lisboa para a festa do seu oitavo aniversário.

Profissional a sério

Hoje leva o prazer de representar tão a sério que se porta como uma "profissional a sério", como gosta de ironizar. "Sei sempre o papel, ensaio em casa sozinha, a andar para trás e para a frente e depois ao espelho para ver se as expressões resultam." Um trabalho que a ocupa muito mas também lhe dá muito prazer.

Apesar do desgaste físico, já que vive em Salvaterra de Magos e tem de se deslocar todos os dias para o estúdio, em Bucelas, Tareka reconhece que decorar papéis é um bom treino. "Assim como a ginástica melhora a forma física, estudar é bom para a memória."

Para já, a melhor compensação tem sido o resultado das audiências, para além de trabalhar ao lado de grandes actores como Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho e António Pedro Cerdeira. "As pessoas abordam-me na rua para me darem os parabéns, porque gostam muito da telenovela."

Palmira Correia / Máxima, 14/09/2001

Tozé Martinho apaixonou-se pela representação na adolescência e o concurso ‘A Visita da Cornélia' foi uma viragem na sua vida..

- Onde foi buscar a paixão pela representação?

- Aos 14 ou 15 anos entrei numa peça de teatro na escola onde andava e ficou para sempre essa paixão. Ainda hoje sei partes do texto dessa peça. Nessa altura, senti que aquilo que estava a fazer ia ser a minha vida, e foi. Aos 18 anos acabei por pedir à minha mãe para ser actor, mas fui para a tropa.

- O concurso ‘A Visita Cornélia' foi um ponto de viragem?

- Sim, porque quando acabou o concurso, o Raul Solnado teve uma conversa comigo e incentivou-me a seguir a carreira de actor. Mas nessa altura eu ainda não podia, porque estava a tomar conta de uma propriedade da família em Trás-os-Montes.

Por: Sabrina Hassanali / CM

PERFIL

Tozé Martinho nasceu a 5 de Dezembro de 1947, em Lisboa, filho de Maria Teresa Ramalho (Tareka) e de António Caetano Oliveira Martinho. É irmão da escritora Ana Maria Magalhães e do cirurgião plástico Manuel Maria Martinho, e meio-irmão de Teresa Margarida e Helena Rita Ramalho. Casado com Ana Rita Martinho, é pai de Rita, jornalista, e António Martinho, operador de câmara. O neto Gonçalo tem 14 anos. Tozé Martinho estudou Direcção de Televisão e Cinema em Nova Iorque. Escreveu ‘Dei-te Quase Tudo’, ‘Amanhecer’, ‘Todo o Tempo do Mundo’, entre outras.

CM

 imagem (Facebook)

Tozé Martinho + Tareca e  restante família no espectáculo de solidariedade Pirâmide (fim de ano na RTP) em 1978:

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Caderneta




A VISITA DA CORNÉLIA
COLECÇÃO DE 235 CROMOS
EDIÇÃO CLUBE DO CROMO
1977

http://www.misteriojuvenil.info/detalhes.php?id=740

http://santanostalgia.com/?p=387

sábado, 1 de setembro de 2012

Os primeiros

Corria o ano de 1977 (...) a RTP anunciava a entrada em cena de um concurso em moldes completamente inovadores para a época: A VISITA DA CORNÉLIA. Para nele se participar era preciso mandar um postal dos correios com o nome do par que desejava concorrer. Era eu então professora na Escola Preparatória do Castelo da Maia. No meio de uma conversa de aula, surgiu, entre os alunos, a ideia de me porem como candidata ao concurso. Entretanto, sem nada nos dizer, o meu sogro, enviava também um postal.

Julgo que foi o dos meus alunos que foi sorteado. E perante o meu espanto eu ouvi, anunciado na Tv que seria, juntamente com o Augusto, um dos 10 casais a serem testados para a primeira apresentação do concurso. E assim lá fomos os dois passar um fim-de-semana a Lisboa e mostrar o que sabíamos no campo da dança, do canto, do teatro, da literatura e de mais umas quantas disciplinas.

Para espanto nosso acabamos por ser escolhidos e passar à eliminatória, a realizar na segunda-feira seguinte, em que ficámos em 2º lugar, a seguir ao saudoso poeta e jornalista Fernando Assis Pacheco e sua cunhada, a Carminho Ruela Ramos. Foi durante esses 3 dias que eu conheci pessoalmente o Raul Solnado. Não tanto o Solnado como cómico, mas como Homem. Por mais à vontade que nos tentássemos sentir, aquele meio não era o nosso. E foi então que se revelou a atitude humana do Raul que tentou sempre ambientar-nos e mostrar-nos como, mesmo sem sermos profissionais, tínhamos direito próprio a um lugar ali.

E porque os meus alunos do Castelo da Maia não nos viram actuar, por um corte de energia local, organizaram-se, mandaram mais postais e fomos novamente chamados. Fomos os primeiros a repetir a ida ao concurso, o que muito agradou ao Raul. Lembro-me que, havendo nessa sessão concorrentes de alto gabarito, ele, receando que não fossemos escolhidos, não assistiu às nossas provas na sala de espectáculos, mas sim roendo as cortinas que a separavam do pequeno foyer do Villaret. E no final, já connosco como concorrentes definitivos, foi a festa, que se prolongou pela noite de Lisboa, algo que nós desconhecíamos e que nos surpreendeu.

Em finais do mesmo ano foi decidido fazer, com fins beneficentes, dois espectáculos no Porto. Isto já ele nos dissera quando, durante uma estadia no Sá da Bandeira com uma peça, viera a nossa casa no dia dos meus anos e de um dos seus filhos, por coincidência no dia seguinte aos anos dele. E juntos brindámos pelas 3 efemérides. As sessões de Porto mais reforçaram a nossa ligação com ele e com o Zé Fialho. E tivemos oportunidade de avaliar o grande coração daquele homem. Era de uma humildade espantosa e tinha um sorriso que abria o coração mais empedernido. Revi-o anos mais tarde, já depois do primeiro enfarte. Notei-lhe alguma decadência. Mas ainda havia um brilho especial naquele seu olhar.

Blog Gaivota Maria, 08/08/2009

Pois é verdade! Eu fui a primeira concorrente que espremeu as tetas à Cornélia. A morte do Raul trouxe-me muitas lembranças de momentos felizes e sobretudo dele próprio que foi alguém que enriqueceu a nossa vida. Era um "louco" bom, generoso, que eu conheci no esplendor da sua vida (ainda não fizera 50 anos). Ele que queria que todos nós fossemos felizes, deu-nos a oportunidade de partilharmos alguma dessa felicidade com eles. Devo essa aos meus alunos da Preparatória do Castelo da Maia.

O Raul é uma feliz memória da minha vida. Conhecê-lo e conviver com ele foi um privilégio. E o convívio só não foi mais longe porque nós não pudemos aceitar o convite que nos fez para participarmos numa revista com ele. Esse convite foi depois reciclado e quem o aproveitou foi o Tó Zé Martinho.