quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Quem esqueceu Pitum, de «A visita da Cornélia»?


Quem esqueceu Pitum, de «A visita da Cornélia»?

Lira e Francisco Keil do Amaral são os anfitriões dessa e de outras ideias, que abraçam de coração aberto. Ideias ávidas do nosso convívio, pensamentos que nos batem à porta, esperando que os inventemos.
Quem não se lembra de ambos, de «A visita da Cornélia», esse programa de televisão, cujo júri integrava Maria João Seixas, Raul Calado, Luís de Sttau Monteiro, Maria Leonor e Paulo Renato. E por falar neles, quem se esqueceu da Lucilina ou do Ninéu (Vítor Sobreiro), também eles próprios responsáveis pelo calor humano gerado no jantar a que nos reportamos?

Muito de Assis Pacheco
Só quem não viu o programa poderá ignorar essa mão-cheia de pessoas que faziam as delícias das audiências com um verdadeiro festival de imaginação e de cultura. Nesse tempo _ um abanão na RTP, uma pedrada no charco. É dessa data, de resto, o conhecimento desses dois casais e a amizade que se lhe seguiria, cuja criatividade, passados tantos anos, não pára de fazer das suas.
Agora, aqui, à luz beiroa dos granitos, é com eles que convivemos. Falar de «A visita da Cornélia» é falar do muito que lhe deram. E é trazer à conversa outro casal, Carminho e Assis, cujos nomes os levam a arregalar os olhos. Para Ninéu, «o grande responsável pelo nível que o programa atingiu foi o Fernando (Assis Pacheco)», o qual já não está entre nós. Foi ele o primeiro concorrente a ir para o pódio. Quem não os está a ver? O José Fanha, a Tareca, o Pitum, a Lira, a Lucilina? Hoje, estão apenas um pouco mais novos, acreditem.

Adeus, registos...
A geração de 80 talvez recorde «A filha da Cornélia», que veio a lume anos mais tarde, mas longe de ter a chama do outro. Já não foi a mesma coisa. «Nunca voltes ao local aonde já foste feliz», canta Rui Veloso. E com razão.
Duas palavras ainda para me insurgir (e o mesmo espero de vós) com a notícia de que a RTP, segundo me diz voz informada, se desfez dos registos desses programas, como de muitos outros, «para aproveitar as «cassettes» e com elas fazer novas gravações». Bom seria que isso não fosse verdade, para prazer dos nossos filhos.


JN, 16/12/2000